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Plenitude

  • Foto do escritor: Lêla Padu
    Lêla Padu
  • 3 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 14 de fev.

O que é plenitude?


Se sentir plena é sentir como se nada te faltasse, mas, para isso, é preciso saber lidar com as próprias faltas.

Plenitude não é estar completo no sentido de pronto ou acabado. Trata-se de um equilíbrio dinâmico, de um estado interno que permite estar em paz inclusive com aquilo que falta: as ausências, os vazios, o não saber, as saudades e até o silêncio. Ser pleno é conseguir sustentar-se emocionalmente mesmo diante das imperfeições da vida e de si.

Quando nos deparamos com essas faltas, é comum sentirmos angústia — um aperto, uma perda de chão, uma sensação de insegurança. Ela surge da dificuldade de lidar com o que não controlamos: a incerteza, a indefinição, a perda, o medo do futuro e da frustração. Culturalmente, buscamos previsibilidade para nos sentirmos seguros, mas a vida não funciona assim. A segurança mais sólida é aquela que nasce da confiança em si mesmo e na própria capacidade de atravessar as adversidades preservando a integridade.

Quando essa confiança interna não está presente, surgem sofrimentos como a insegurança, a baixa autoestima e o desamor por si e pela vida. Muitas vezes, tentamos fugir das faltas, eliminá-las ou esperar que algo ou alguém nos salve. Com o tempo, porém, podemos compreender que a plenitude nasce quando reconhecemos nossas necessidades e assumimos a responsabilidade de ir ao encontro do que nos falta.

Entrar em um estado de plenitude é preencher as lacunas da vida com quem se é. Para isso, é necessário um processo de autoconhecimento que nos ajude a diferenciar faltas profundas de necessidades momentâneas. Ao longo da vida, precisamos de coisas diferentes: cuidado físico, acolhimento emocional, reconhecimento, apoio, silêncio, escuta, ação ou pausa. Não existe uma fórmula fixa para a felicidade, mas sim a capacidade de perceber o que é essencial em cada momento e buscar equilíbrio respeitando a impermanência da vida.

Compreender que a plenitude se constrói a partir da consciência da falta é aceitar que não existe perfeição nem uma completude final. Viver é transformar-se, faltar novamente e se reconhecer outra vez. É um compromisso contínuo com o próprio bem-estar.

Quando estamos em plenitude, nossas relações deixam de ser baseadas na dependência e passam a se sustentar na troca. Projetos ganham sentido, o trabalho flui com mais presença e a vida se movimenta com mais leveza. Nesse estado, somos capazes de amar a nós mesmos, estar em paz com o passado, confiar no futuro e habitar o presente com mais inteireza.

A plenitude, como apontam Pompéia e Sapienza, em "Na presença do sentido", é também a disposição para compartilhar: um estado de quem está suficientemente preenchido para transbordar, somar e contribuir, sem depender do outro para sobreviver emocionalmente. E a plenitude está diretamente associada à maturidade -- sendo uma atitude diante da vida marcada pela aceitação, responsabilidade, paciência e abertura para receber e oferecer.

É nesse sentido que a psicoterapia atua: como suporte para quem está em travessia entre o sofrimento e a plenitude. Um espaço para ampliar a consciência, reconhecer conquistas, desenvolver potenciais e construir uma relação mais amorosa consigo mesmo. Trata-se de aprender a olhar para a vida como uma fonte constante de crescimento e de se permitir viver com mais sentido, presença e gratidão.

Viver em plenitude é, afinal, nutrir-se de autoconhecimento, escolher o que faz sentido e preencher-se de quem se é — para então compartilhar com o mundo os frutos dessa construção.


 
 
 

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